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PROMETEU PERSONAGEM GREGA
PROMETEU PERSONAGEM GREGA

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Prometeu

Prometeu, na mitologia grega, é um titã da segunda geração, filho de Jápeto filho de Urano; um incesto entre Urano e Gaia e irmão de Atlas, Epimeteu e Menoécio. Algumas fontes citam sua mãe como sendo Tétis, enquanto outras, como Pseudo-Apolodoro, apontam para Ásia oriental, também chamada de Clímene, filha de Oceano. Foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência, responsável por roubar o fogo de Héstia e dá-lo aos mortais. Zeus, que temia que os mortais ficassem tão poderosos quanto os próprios deuses o teria então punido por este crime, deixando-o amarrado a uma rocha por toda a eternidade enquanto uma grande águia comia todo dia seu fígado que se regenerava no dia seguinte. O mito foi abordado por diversas fontes antigas entre elas dois dos principais autores gregos, Hesíodo e Ésquilo, nas quais Prometeu é creditado ou culpado por ter desempenhado um papel crucial na história da humanidade.

Etimologia

A etimologia popular do termo promēthéus vem de uma junção no grego antigo, onde pro significa antes e manthano significa aprender; resultando em antevisão. Alguns linguistas modernos, no entanto, apontaram que o nome poderia ter uma raiz protoindo-europeia que também produziu o pramath védico, roubar, com Prometeu como o ladrão do fogo. O mito védico do roubo do fogo por Mātariśvan é análogo ao relato presente na mitologia grega. A estes cognatos etimológicos pode-se acrescentar pramantha, ferramenta usada para se fazer fogo.

História

Segundo Hesíodo foi dada a Prometeu e a seu irmão Epimeteu a tarefa de criar os homens e todos os animais. Epimeteu encarregou-se da obra e Prometheus encarregou-se de supervisioná-la. Na obra, Epimeteu atribuiu a cada animal os dons variados de coragem, força, rapidez, sagacidade; asas a um, garras outro, uma carapaça protegendo um terceiro, etc. Porém, quando chegou a vez do homem, formou-o do barro. Mas como Epimeteu gastou todos os recursos nos outros animais, recorreu a seu irmão Prometeu.

Este então roubou o fogo dos deuses e deu-o aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso, onde todos os dias uma águia ou abutre dilacerava seu fígado que, todos os dias, regenerava-se. Esse castigo devia durar 30 000 anos. Prometeu foi libertado do seu sofrimento por Hércules que, havendo concluído os seus doze trabalhos, se dedicou a aventuras. No lugar de Prometeu, o centauro Quíron deixou-se acorrentar no Cáucaso, pois a substituição de Prometeu era uma exigência para assegurar a sua libertação.

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Cultos

Prometeu tinha um pequeno santuário na região de Kerameikos, o bairro dos ceramistas de Atenas, a pouca distância da Academia - onde também existia um pequeno altar dedicado a ele. De acordo com o autor grego Pausânias, do século II d.C., no local ocorria uma corrida em que os participantes empunhavam tochas, dedicada ao titã. Pausânias também menciona que as cidades de Argos e Ópos alegavam ser o local de repouso de Prometeu, e ambas ergueram sepulturas em sua homenagem. Pausânias também menciona que na cidade grega de Panopeu havia uma estátua venerada que alguns alegavam ser Prometeu, homenageado ali por ter criado a raça humana naquele local.

Versões do mito

Hesíodo

O mito de Prometeu apareceu pela primeira vez na Teogonia versos 507 a 616, obra do poeta épico grego do fim do século VIII a.C., Hesíodo. Filho do titã Jápeto com Clímene, umas das oceânides, era irmão de Menoécio, Atlas e Epimeteu. Na Teogonia, Hesíodo descreve Prometeu como um desafiante inferior à onipotência e onisciência de Zeus. Num célebre episódio, durante um banquete destinado a selar a paz entre mortais e imortais, Prometeu foi responsável por aplicar um estratagema em Zeus 545-557, ao colocar duas oferendas diferentes diante do deus olímpico: uma delas consistia de uma seleção de carne escondida dentro de um estômago de boi alimento escondido dentro de um exterior repulsivo, enquanto a outra consistia dos ossos do boi totalmente envoltos em reluzente gordura algo impossível de ser consumido dentro de um exterior atraente.

Zeus escolheu a segunda, abrindo assim um precedente para os futuros sacrifícios, e a partir de então os humanos teriam passado a ficar com a carne dos animais que sacrificavam, dedicando aos deuses apenas os ossos, envoltos numa camada de gordura. O truque enfureceu Zeus, que retirou o fogo dos humanos como forma de retribuição. Prometeu, por sua vez, roubou o fogo dentro de um gigantesco caule de funcho, devolvendo-o à humanidade. Isto enraiveceu ainda mais Zeus, que enviou Pandora, a primeira mulher, para viver com os homens.

Forjada por Hefesto a partir do barro, e trazida à vida por obra dos quatro ventos, todas as deusas do Olimpo reuniram-se para adorná-la. Dela descende a geração das femininas mulheres, escreveu Hesíodo, dela é a funesta geração e grei das mulheres, grande pena que habita entre homens mortais, parceiras não da penúria cruel, porém do luxo. Prometeu por sua vez, como castigo eterno, foi acorrentado a uma rocha no Cáucaso, onde seu fígado era devorado cotidianamente por uma águia, apenas para vê-lo regenerar-se durante a noite, segundo a lenda, devido à sua imortalidade. Anos mais tarde, o herói grego Héracles ou Hércules romano abateria a águia e libertaria Prometeu de seus grilhões. Hesíodo abordou novamente a história de Prometeu em sua obra Os Trabalhos e os Dias versos 42 a 105.

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Nela, o poeta fala com maior detalhe da reação de Zeus ao roubo do fogo. O deus olímpico não apenas retira o fogo dos e de subsistência. Não tivesse Prometeu provocado a ira de Zeus 44-47, comodamente em um só dia trabalharias para teres por um ano, podendo em ócio ficar; acima da fumaça logo o leme alojarias, trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam. Hesíodo também expande a história da primeira mulher, citada na Teogonia, chamando-a agora explicitamente de Pandora A que tudo dá. Após Prometeu roubar o fogo, Zeus envia-a aos homens como retaliação; apesar dos avisos de Prometeu, seu irmão Epimeteu aceita o presente dos deuses. Pandora foi advertida por Epimiteu para que nunca abrisse o baú do qual ele retirou os atributos que deu como presente aos animais, pois lá não restava nada de bom.

Entretanto, Pandora tinha uma característica inerente a todas as mulheres, a curiosidade. Movida por este sentimento insaciável, Pandora abre o baú, e de dentro do mesmo saem todos os males e doenças que afligem a humanidade, tais como pestes, ciúme, inveja, ganância, e vários outros. Percebendo o erro cometido, Pandora se apressa em fechar o baú, na tentativa de evitar que todos os males saíssem, e com isso consegue evitar a saída do pior de todos os males, aquele que acaba com a esperança. Por isso, por pior que a situação esteja, o homem ainda consegue ter esperança em dias melhores.

O professor de literatura grega da Universidade de Florença, Angelo Casanova, vê em Prometeu uma reflexão da figura antiga, pré-hesiódica, do trapaceiro trickster, que servia para mostrar a mistura do bem e do mal que existe na vida humana, e cuja confecção do homem a partir do barro já seria um motivo oriental familiar, citado no Enuma Elish; como oponente de Zeus era análogo aos titãs, e, como eles, foi punido. Como defensor da humanidade conquistou um status semidivino em Atenas. O episódio da Teogonia na qual ele é libertado é interpretado por Casanova como sendo uma interpolação posterior a Hesíodo.

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Ésquilo

Talvez o mais famoso tratamento do mito possa ser encontrado na tragédia grega Prometeu Acorrentado Prometheus desmotes, tradicionalmente atribuída ao dramaturgo grego Ésquilo, do século V a.C. No centro do drama estão as consequências do roubo do fogo cometido por Prometeu e sua subsequente punição, por Zeus; a dependência do autor no material de Hesíodo como fonte fica claro, embora a peça também contenha diversas alterações em relação à tradição recebida. Antes de roubar o fogo, Prometeu desempenha um papel decisivo na Titanomaquia, assegurando a vitória para Zeus e outros deuses olímpicos. A tortura cometida por Zeus em Prometeu, assim, é vista como uma traição particularmente brutal.

O escopo e o caráter das transgressões de Prometeu contra Zeus também são ampliados nesta versão; além de dar o fogo à humanidade, Prometeu alega ter ensinado aos homens as artes da civilização, como a escrita, a matemática, a agricultura, a medicina e a ciência. No entanto, o maior feito do titã pela humanidade parece ter sido salvá-la da destruição completa. Numa aparente variação do mito das chamadas Cinco Idades do Homem, encontrada nos Trabalhos e Dias de Hesíodo durante as quais Cronus e, posteriormente, Zeus, criam e destroem cinco raças sucessivas de mortais, Prometeu afirma que Zeus desejara obliterar a raça humana, e que ele, de alguma maneira, teria impedido que isso acontecesse.

Ésquilo ainda introduz na história de Prometeu, de maneira artificial e anacrônica, Io, outra vítima da violência de Zeus, ancestral de Héracles. Finalmente, assim como Ésquilo dá a Prometeu um papel crucial na ascensão ao poder de Zeus, também lhe atribui um conhecimento secreto que pode levar à derrocada de Zeus: Prometeu ouvira de sua mãe, Gaia, sobre um casamento cujo filho destronaria Zeus. Evidências fragmentárias indicam que Héracles, como na versão de Hesíodo, liberta o titã na segunda da peça da trilogia, Prometeu Liberto. Apenas quando Prometeu revela este segredo sobre a queda de Zeus, na peça final da trilogia, Prometeu Portador do Fogo, é que os dois se reconciliam. Prometeu Acorrentado também inclui duas inovações míticas em termos de omissão; a primeira é a ausência da história de Pandora, restando apenas uma alusão oblíqua a ela e a seu jarro, que continha a Esperança 252: Prometeu fez com que esperanças cegas vivam nos corações dos homens.

A segunda é que Ésquilo não faz qualquer menção ao truque preparado por Prometeu contra Zeus durante o sacrifício, presente na Teogonia. Estas inovações refletem a inversão temática da peça, a partir do mito de Hesíodo. Neste, a história de Prometeu e, por extensão, a de Pandora serve para reforçar a teodiceia de Zeus: ele é um soberano justo e sábio do universo, enquanto Prometeu é culpado pela existência ininvejável da humanidade. Em Prometeu Acorrentado esta dinâmica é transposta: Prometeu se torna o benfeitor da humanidade, enquanto todos os personagens do drama com exceção de Hermes denunciam Zeus como um tirano cruel e perverso.

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Outros autores

Ao longo da Antiguidade, até por volta do século IV d.C., cerca de uma dúzia de outros autores greco-romanos recontaram e ampliaram o mito de Prometeu. O detalhe mais significativo acrescentado ao mito, e que pode ser encontrado em autores tão diversos quanto Safo, Platão, Esopo e Ovídio é o papel central de Prometeu na criação da raça humana. De acordo com todas estas fontes, Prometeu teria forjado os humanos a partir do barro. No diálogo Protágoras, o personagem-título afirma que os deuses criaram os humanos e todos os outros animais, porém coube a Prometeu e seu irmão, Epimeteu, dar a cada um deles as características definitivas. Como nenhuma característica física ainda existia quando chegou a vez dos humanos, Prometeu decidiu lhes dar o fogo e outras artes da civilização.

Embora isto talvez tenha ficado explícito apenas na Prometheia, autores como Higino, Pseudo-Apolodoro e Quinto de Esmirna mencionam que Prometeu teria avisado a Zeus que não se casasse com a ninfa marítima Tétis. Assim, ela acaba por desposar o mortal Peleu, com quem tem um filho maior que o pai Aquiles, o herói grego da Guerra de Troia. Apolodoro ainda esclarece uma declaração críptica 1026–29 feita por Hermes em Prometeu Acorrentado, identificado o centauro Quíron como aquele que assumiu o sofrimento de Prometeu, morrendo em seu lugar. Refletindo um mito presente em pinturas de vasos gregos do período clássico, Apolodoro menciona o titã, armado com um machado, no nascimento de Atena, explicando deste modo como a deusa teria brotado a partir de uma rachadura na cabeça de Zeus.

Outros detalhes menores ligados ao mito incluem: a duração do tormento de Prometeu, que varia de 30 a 30.000 anos; a origem da águia que comia o fígado do titã descrita em Apolodoro e Higino; o casamento de Pandora com Epimeteu em Apolodoro; os mitos em torno da vida do filho de Prometeu, Deucalião em Ovídio e Apolônio de Rodes; e o papel secundário de Prometeu no mito de Jasão e os Argonautas em Apolônio de Rodes e Valério Flaco. De maneira anedotal, o fabulista romano Fedro atribui a Esopo uma etiologia simples para a homossexualidade, no episódio em que Prometeu teria se embebedado enquanto criava os primeiros humanos e se confundido ao distribuir as genitálias.

Na literatura moderna

Ao longo de séculos, vários autores retomaram a história de Prometeu e o colocaram como figura que representa a vontade humana por conhecimento mesmo tendo que passar por cima dos deuses. A captura do fogo é visto como a busca do conhecimento pela ciência. Dentre esses autores, o poeta romântico alemão Goethe escreveu um pequeno poema de 8 estrofes sobre a lenda de Prometeu intitulado de Prometheus 1776 do qual segue-se um trecho: Encobre o teu Céu ó Zeus com nebuloso véu e, semelhante ao jovem que gosta de recolher cardos retira-te para os altos do carvalho ereto Mas deixa que eu desfrute a Terra, que é minha, tanto quanto esta cabana que habito e que não é obra tua e também minha lareira que, quando arde, sua labareda me doura.

Tu me invejas Eu honrar a ti Por quê Livraste a carga do abatido Enxugaste por acaso a lágrima do triste Por acaso imaginaste, num delírio, que eu iria odiar a vida e retirar-me para o ermo por alguns dos meus sonhos se haverem frustrado Pois não: aqui me tens e homens farei segundo minha própria imagem: homens que logo serão meus iguais que irão padecer e chorar, gozar e sofrer e, mesmo que sejam parias, não se renderão a ti como eu fiz

Goethe descreve um homem extraordinário, que se nega a venerar deuses e, como ato de rebeldia, se prontifica a fazer homens segundo à própria imagem que não precisem venerar os deuses. Essa questão de rebeldia aos deuses e de criação de vida é um tema que permeia a sociedade moderna até hoje. Alguns anos depois da publicação de seu poema, surgia na Inglaterra a figura de Frankenstein, ou o Moderno Prometeu, que é um ser criado de vários humanos que ganhou vida através de seu cientista.

Porém essa liberdade de criar homens é muito discutida e não tem consenso geral da sociedade, como é o caso da clonagem, que começou com a ovelha Dolly e até hoje causa discussão entre as sociedades, sobre até onde o homem pode ir. Goethe, em sua fase mais madura, parece mudar de opinião, pois escreve outro poema intitulado Limite da Humanidade Grenzen der Menschheit, onde faz elogios aos deuses e faz um reconhecimento da incapacidade humana. Além dos românticos, Prometeu também era um homem modelo de Marx. Proudhon também recorria constantemente a figura de Prometeu nas suas obras sobre economia e ciência social.

Astronomia

Em homenagem ao personagem mitológico, deu-se o nome de Prometeu a um dos 56 satélites de Saturno ver Prometeu.

Química

Inspirou também a nomeação do metal de terra-rara Promécio, em razão do potencial de coleta da energia produzida por esse elemento.

Árvore genealógica

Árvore genealógica baseada em Apolodoro.

FONTE WIKIPÉDIA

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