
Palácio da Brejoeira
O Palácio da Brejoeira localiza-se na freguesia de Pinheiros, na vila e município de Monção, distrito de Viana do Castelo, em Portugal. A seis quilómetros a sul de Monção, inscreve-se em uma vasta propriedade rural, dividida entre 18 hectares de vinha, oito de bosque e três de jardim. Este sumptuoso palácio constitui-se num expoente das moradias fidalgas no país. O Palácio da Brejoeira está classificado como Monumento Nacional desde 1910.
História
Foi erguido nos primeiros anos do século XIX, tendo as obras se prolongado até 1834. Embora não haja provas evidentes sobre quem foi o autor de seu projeto, este tem sido atribuído a Carlos Amarante, à época, um dos mais importantes arquitetos em atividade no norte do país, havendo ainda quem defenda que o arquiteto possa ter sido José da Costa e Silva, o autor do projeto do Palácio da Ajuda, em Lisboa, atendendo às semelhanças entre os dois palácios.
Pertenceu inicialmente a Luís Pereira Velho de Moscoso, nascido em 29 de novembro de 1767 e casado com Maria Cleófa Pereira Caldas, de Badim. O palacete existente no Largo do Caldas em Lisboa era propriedade da família. Luís de Moscoso foi fidalgo da casa real o que lhe permitiu obter a autorização do rei D.João VI para a construção do palácio.
Com o falecimento de Luís de Moscoso em 1837 as obras prosseguiram sob a direção do seu segundo filho, Simão Pereira Velho de Moscoso 1805-1881, e estima-se que terão custado cerca de 400 contos de réis. Este morreu sem descendência. Por falta de parentes próximos, o palácio foi herdado pela família Caldas de Lisboa. Seguem-se tempos de abandono e degradação.
Por volta de 1901, o palácio foi vendido em hasta pública a Pedro Maria da Fonseca Araújo 1862-1922, presidente da Associação Comercial do Porto, que lhe realizou amplas obras de restauro, projetadas pelo arquiteto Ventura Terra. O imóvel foi enriquecido com um teatro e um jardim de inverno, as paredes do átrio e da escadaria foram revestidas com azulejos, os jardins e o bosque foram reformados, além da construção de um lago.
As obras nos jardins e diferentes zonas da quinta foram levadas a cabo pelo horticultor e jardineiro portuense Jacinto de Matos. Em 23 de junho de 1910 foi classificado como Monumento Nacional. Em 1937, o edifício foi vendido ao comendador Francisco de Oliveira Paes, um importante industrial de Lisboa, que o oferece à sua única filha, Maria Hermínia de Oliveira Paes, aquando dos seus 18 anos.

Após a falência de Dona Hermínia Paes o Palácio foi à praça e foi adquirido pelo seu companheiro Feliciano dos Anjos Pereira que fez construir uma moderna adega e, em 1976, lançou no mercado, com grande sucesso, uma marca própria, o vinho Alvarinho Palácio da Brejoeira. Maria Hermínia d’Oliveira Paes residiu na área privada do Palácio até à data do seu falecimento, que ocorreu a 30 de dezembro de 2015.
O palácio pertenceu à sociedade anónima Palácio da Brejoeira Viticultores, S.A. criada em 1999 pela última proprietária que era detido em partes iguais pelos herdeios de Feliciano dos Anjos Pereira e pelos herdeiros de Maria Herminia Paes. Em 11 de julho de 2010 o palácio abriu ao público com visitas guiadas. Em Abril de 2025, o palácio e a quinta foram comprados pela família Mirpuri, dona da companhia de aviação Hi Fly.
Características
Construído em estilo neoclássico e com uma planta em forma de L, apresenta no entanto ornatos de estilo rococó. As suas quatro fachadas são limitadas por três torreões que acrescentam uma presença distintiva e que recorda o Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. O corpo central é quase totalmente revestido a granito e apresenta ao centro um portal alargado e feito saliente dos corpos laterais, este corpo central é ainda coroado pelo brasão de armas familiar entre duas balaustradas.

No corpo perpendicular à fachada nobre a decoração torna-se mais severa, não quebrando, no entanto, a harmonia do conjunto. No seu interior conserva as salas com interesse, nas quais a decoração é neoclássica, destacando-se os faustosos salões com pinturas entre as quais um retrato de D. João VI resguardado por um dossel com sanefas e cortinas laterais, frescos e distinta decoração.
À entrada, grande escadaria nobre, lançada de um espaçoso átrio. Nas paredes painéis de azulejo de Jorge Pinto, executados já no século XX, como aliás muitas das obras e alterações que se efetuaram no início deste século. Possui ainda uma capela e um teatro, este último de forte influência classicista, marcado pelo uso de colunas caneladas. O pano de fundo cénico apresenta uma perspetiva da fachada do Palácio da Brejoeira, sendo ladeado por rompimentos vegetalistas.
Existe uma estufa num semi-círculo de vidro e ferro, acessível através de um patamar da escadaria nobre. Está rodeado de frondosa mata e encantadores jardins com magnólias e japoneiras.
FONTE WIKIPÉDIA